Dia desses (que poderia ser qualquer um)

Quando vc fica sozinho com um bebê / criança não tem muito jeito, vc precisa inclui-lo nas atividades, a menos que vc o deixe distraído de alguma maneira. Desconheço qual seria essa maneira, na verdade. Tablet e TV aqui não rolam (pelo menos quando estamos eu e ele) e eu nem tento muito outras formas, por desconhecê-las; é bem provável que logo ele se interesse por outras coisas e fique sozinho, pq hoje Dan não fica de jeito nenhum, ele brinca muito bem só ele, mas vira e mexe procura pra se certificar que estamos juntos.

Nossa rotina durante a semana começa mega cedo, pra deixá-lo na minha mãe e chegar no trabalho. Quando voltamos pra casa a primeira missão é preparar o jantar. No nosso cardápio de “todo dia” já estamos craques; arroz integral com grãos, filé de frango (ou peixe, eca, odeio!) e salada (folhas e o que mais tiver de diferente: tomate, rabanete, cenoura, azeitona, whatever). Também nos damos bem quando substituímos nosso arroz por batata ou batata doce no forno, com azeite e alecrim, fica ótimo!

Mas, poxa, tem dia que vc está querendo algo mais diferente. Aí eu invento… Dia desses fomos fazer um escondidinho, com purê de mandioquinha e frango. Em resumo… A cozinha ficou de pernas pro ar, baby não jantou NADA porque estava morto de sono e a frustração tomou conta. Ele chorou (Dan não chora, não aprendi a lidar!), jogou garfo, frango e morango no chão, eu me estressei e brigamos. Depois ele mamou todo alegre e dormiu. Aí o remorso e a culpa tomam conta, pq óbvio, ele estava exausto e não sabe lidar com isso. Dan é um garoto amável, calmo, reclama pontualmente, faz tudo o que peço – guarda brinquedo, organiza, me ajuda na cozinha. Mas, claro, a atenção dele não dura tanto numa mesma atividade. E as atividades são longas e precisam ser concluídas, gerando alguma tensão entre nós. Com mais constância do que eu gostaria. E eu brigo, falo só “espera, espera, espera” ou “já vamos”, eu grito às vezes. E não, ele não merece. Aí acabo também chorando, pq não tem pra onde fugir.

Num outro “dia desses”, voltando pra casa, depois dele dormir no carro, ou antes, ou em algum momento, aqueles insights, que permeiam os pensamentos quase que diariamente, se alinharam todos pra me lembrar do quanto eu estou cansada, do quanto eu queria a minha vida de volta, do quanto, muitas e incontáveis vezes, eu odeio ser mãe. Olhei pra carinha do Dan pelo espelho e bateu, de novo, um mega remorso.

Odiar todas as responsabilidades não divididas na maternidade me faz uma mãe pior? Racionalmente não. Eu amo o Dan e faço tudo pra garantir que todas as suas necessidades, inclusive emocionais, sejam sempre supridas, que ele se sinta sempre amado, acolhido, respeitado. Falho? É óbvio, o exercício da parentalidade é muito isso, errar tentando acertar. Ou errar pq simplesmente somos humanos e não conseguimos acertar num determinado momento.  Mas, de modo geral, eu não tenho grandes encanações com isso.

Mas é que faltam momentos pra conversar, desabafar, liberar a frustração sem só ser taxada de reclamona, de insensível, de ser acusada de não ver as coisas boas ao redor. Minha rotina tem sido pesada e tem dias que eu só queria chegar em casa e me jogar no sofá, sem ter que me preocupar com a hora, com o jantar, com o banho. Tem dia que eu sinto dor, como depois de tentar frequentar as aulas de condicionamento físico sem nenhuma condição. E desse monte de “tem dia”, todo dia eu estou frustrada, todo dia eu to sozinha e todo dia eu só quero deitar e dormir e garantir que este dia terminou. Ainda que a madrugada não. Ainda que o dia seguinte vá ser o repeteco deste dia.

Este post fica assim, sem nenhuma conclusão, mesmo. Pq é isso, são os novos desafios dessa fase de bebê que anda e participa das atividades de casa. Fico pensando que logo passa. Foi bem difícil me adaptar ao bebê que intercalava entre mamar e dormir, depois ao bebê que rolava na cama, depois à volta ao trabalho. E quando eu finalmente der conta disso, outras coisas vão se colocar como desafio…

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Marcela Santander

Marcela, 30 anos. Pisciana com ascendente em gêmeos e lua em escorpião. Mãe, feminista, ser político. Interessada em estudar antropologia e convenções sociais. mais?