Limites (dos pais)

Qual o limite entre o “eu sou mãe/pai/responsável e faço o que eu quero” e onde começa a necessidade de intervenção? Digo, ok, eu crio meu filho de uma determinada maneira que faz sentido pra mim, que se adequa ao estilo de vida que eu quero propor e dos valores que eu quero ensinar. E muita gente diverge, acha errado, da mesma forma, muitas amigas fazem diferente, e eu às vezes acho errado, julgo mentalmente, pq inerente ao ser humano julgar mesmo, e ok, nem falo, pq não tenho nada com isso e claramente os filhos delas estão ótimos, muito amados, bem cuidados e etcs.

Eu não quero ninguém me enchendo o saco pq eu escolhi uma determinada alimentação pro meu filho, pq não quero dar um brinquedo ou pq ele anda numa mochila evolutiva ao invés do carrinho – e esse é o pior, não, ele não fica desconfortável ali, sério. É exaustivo o tanto de pessoas que acham que podem dar palpite na criação de um bebê/criança quando essas pessoas não participam da dinâmica familiar ou do dia a dia. Bebês não são entidades públicas que todo mundo pode pegar e fazer o que quiser como lhe convém. Eu, como mãe, quero ser consultada antes que algo seja oferecido pro meu filho, por exemplo. Esse lance da “aldeia pra cuidar de uma criança” é em outro sentido, pelo menos na minha cabeça. Em resumo, eu não curto essa galera palpiteira do “fiz assim e não morreu” – ainda bem! Era pra morrer!?!

Mas até que ponto a gente tem essa autonomia? Eu me coloquei essa questão sobre limites lendo – é claro, eu leio, me arrependo e continuo lendo – comentários de facebook numa página aleatória sobre maternidade. E pode ser qualquer uma, pq os comportamentos são sempre os mesmos. A discussão ia no sentido de bater nas crianças, de dar palmada, que não é espancar, etc, etc, etc. Obviamente tem uma galera que foi sim criada na base da palmada e não morreu. Eu não fui criada assim e não acho normal. Quando perco a paciência eu falo alto sim, eu me irrito, falo palavrão, e eu sei que tudo isso também não é super legal, só que vejo que tem momentos em que sim, vc está sobrecarregada, já cansou de falar várias vezes, a paciência vai embora e a frustração dá as caras. Agora, pra mim é impensável violar o corpo de um outro ser. PONTO. E até onde, em caso como estes, a gente (não) pode intervir?

Este post não é pra dar respostas, mas pra trazer essa reflexão. Pq não bater é meio consenso entre as pessoas com quem convivo (ainda bem! obrigada bolha social!), mas há uma série de outras situações que poderiam / deveriam ser pensadas a luz desta suposta autonomia, como a questão das vacinas, por exemplo – e essa é muito foda! Mas há outras pequenas negligências que estão aí, no cotidiano de cada um.

< pensamentossoltos > Falar palavrão entra aqui? Eu não xingo meu filho, obviamente, mas não tenho nenhum constrangimento de falar um c*ralho, quando necessário. Moralidades podem ser enquadradas nessa discussão? Não, né!?! Ou a gente entra no campo das crenças pessoais e, particularmente, não quero modelos impostos pro meu filho que não o permitam questionar / pensar / discutir, baseando-se no achismo de alguém, ou nas opções de alguma categoria, ou de dogmas de uma religião… Mas privilegiar a ciência, de certa forma, é optar por um determinado modelo também… Eita, melhor parar… não curti esse caminho da relativização que to começando a delinear! </pensamentossoltos >

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Marcela Santander

Marcela, 30 anos. Pisciana com ascendente em gêmeos e lua em escorpião. Mãe, feminista, ser político. Interessada em estudar antropologia e convenções sociais. mais?