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O baby, o blues e os 20 dias

Dan chegou há 22 dias, em 04/08, e posso dizer que é bastante diferente de tudo que imaginei. Um misto de sensações. Uma amiga perguntou se eu tenho escrito sobre tudo. Pertinente. Durante a gravidez eu não escrevi e me arrependo. Por enquanto não me fez falta, por ser recente, mas já perdi o timing das coisas que gostaria de lembrar mais pra frente.

Dan com 7 dias de vida.
Dan com 7 dias de vida.

Dan é um bebê calmo, os primeiros dias foram ótimos, de dormir até no berço com muita facilidade. Os últimos dias têm sido piores, mas ainda assim nada traumáticos. Ruim é quando vc sai de uma situação melhor pra pior; vc conheceu o paraíso aí a terra parece inferno. Mas isso é meio que exagero. Sim, rola um monte de hormônios, rola a problemática toda de ver seu corpo ainda estranho, rola ainda o lance de não conseguir comer calmamente, tomar um banho relaxante, dormir. Mas não termina aí.

Os sentimentos não são fáceis de lidar. São muitos. Controversos e ambíguos. Se por um lado olho pra ele e rola um carinho e uma certeza de que agora somos dois, por outro lado, agora somos dois e a rotina é exaustiva; amamentar, trocar fralda, acalmar, pular um pouquinho, vê-lo dormir. Repete. De novo. Não é difícil exatamente, não tem sido ao menos; por ser até meio “sem erro” eu tenho me surpreendido comigo mesma: me saí bem ok. Mas é bastante desgastante, pq vc gostaria de estar fazendo outras coisas ou simplesmente pq é muito pesado ter alguém precisando de vc o tempo todo.

Eu choro. Todos os dias, várias vezes. Seja por olhar pra ele e vê-lo pequeno, frágil, dependendo das minhas escolhas e cara, como eu sei que vou errar! Não uma, mas inúmeras vezes ao longo dos próximos muitos anos. Isso dá medo. E eu choro por mim. Eu não sei mais quem sou, o que eu quero ou o que gosto. Não sobra tempo pra vc ser qualquer coisa, mas mãe. Isso é mega complicado, sobretudo considerando que eu sempre fui super hedonista e egoísta ao longo da vida. Agora minhas vontades não estão em segundo ou terceiro plano. Eu sequer as reconheço, embora sinta que elas estão aqui por uma certa frustração que insiste em se fazer presente, mas que eu ainda não fui capaz de elaborar.

Tornar-se mãe é um processo, é construção. Não só do vínculo com o bebê, mas especialmente o voltar a se encontrar. Saber quem vc é agora. Certamente não sou mais a mesma, e nem serei. Eu levei muitos anos pra conseguir conviver comigo, me entender e, de certa forma, me aceitar. Aí quando consegui, bora desconstruir tudo e começar de novo. Leva tempo e é um tanto doloroso colocar em perspectiva certas realidades – sempre é.

Aliado a isso, parece existir uma solidão inerente a essa fase, agravada pela minha dificuldade em falar sobre como me sinto. E aí me sinto desconectada mesmo das pessoas mais queridas. Mas sinto que elas simplesmente não entendem o que se passa e eu, por outro lado, simplesmente não sei explicar. Tem momentos que tudo o que dá vontade é ter alguém por perto te dando colo e segurando sua mão. Não rola, porque a vida das pessoas continua.

Enfim. Li muito sobre o baby blues, acho que é isso. Li também que passa. Fico no aguardo.

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