Rabiscos antigos: A felicidade não é o fim

Post originalmente escrito em 22 de outubro de 2015, às 22h51min48seg, e terminado em  23 de outubro de 2015, às 00h51min48seg. WordPress me surpreendendo!

*E este texto particularmente me surpreendeu, fiquei pensando até se eu o escrevi sobre efeito de alguma substância, pq não peguei a ideia, a inspiração, o fio condutor, nada. Não sei se há fragmentos de textos, livros ou algo do tipo que deveria ser mencionado como inspiração… Mas meus rascunhos são grandes aglomerados de brainstorms, então tá valendo rs

A felicidade não é um fim, em si. Não é finalidade que justifica os meios. Tipo fazer de tudo para alcançá-la. Justificar um trabalho que não gosta, relacionamento infeliz, gente insuportável. Tudo porque lá na frente todos esses sacrifícios terão valido a pena; vc será feliz.

Não é que não seja preciso ter planos, sonhos e metas. Tampouco estou incentivando impulsividade ou inconsequência (que já me custaram bem caro, btw). Não é sobre esquecer que haverá um futuro, mas lembrar que tem um presente. Na verdade, é mais que isso. É questionar essa ansiedade louca que sempre tem que estar querendo algo, buscando alguma coisa. Pra hoje ou pra amanhã.

Eu pensei muito sobre isso enquanto estava viajando. Paris era o sonho de uma vida. E eu estava lá. Mas o “prêmio” não tem que estar sempre no futuro. A felicidade não é o fim. A felicidade é o meio. É o que se vive, o presente. A gente fica adiando essa chegada. Os pais focam a convivência com a criança nos fins de semana (pois durante a semana estão extremamente ocupados e saturados). Acaba que a criança cresce com a ideia de que ser adulto é isso: passar a semana cansado esperando o fim de semana. O fim de semana é o prêmio. O que vem depois é o prêmio. O futuro é o prêmio.

Não creio que seja um problema geracional, mas de um determinado perfil, sempre em busca de segurança, talvez? Para todo ato, o foco é o fim, o foco é o objetivo. E a jornada, onde fica? E o aprendizado? Haja terapia. E com essa cultura do fim de semana, acontece que crescemos acreditando que não precisamos ter satisfação em nossa vida profissional, já que no fim das contas, o prêmio é o fim de semana (e o salário).

Agradeço muito por ter tido o tal do tédio e do vazio (acho que até em demasia). Tive meu espaço solitário e meu tempo também solitário quando criança, desenvolvi a criatividade num nível que quase não sobra espaço em mim já que o acúmulo é maior que a exteriorização e também desenvolvi meu espaço portátil (não conquisto espaços porque o espaço aonde estou é o meu espaço. Questão de estar e não de ter). Os adultos não tentavam ocupar meu tempo com atividades premiadas, com isso eu ocupava meu tempo comigo mesma (genial!). O auto-diálogo é lindo, desenvolvi extremamente minha comunicação dessa maneira. Em contrapartida, praticamente só me comunicava dentro de mim, logo, demorei um pouco a desenvolver a comunicação social e lidar verbalmente com o outro.

Mas é isso, tive sorte. Cresci livre, mas vejo que fui uma das poucas. Tento conversar com as pessoas da minha idade, mas elas estão machucadas pelo passado e olhando para o futuro, fica difí­cil me conectar com elas no presente. É necessário muito carinho, didática e paciência pra explicar o além-mundo.

A felicidade não é o fim.

Comentários

comentários

Marcela Santander

Marcela, 30 anos. Pisciana com ascendente em gêmeos e lua em escorpião. Mãe, feminista, ser político. Interessada em estudar antropologia e convenções sociais. mais?

Deixe uma resposta