Rabiscos antigos: Pandora

Este texto foi publicado neste blog em 30 de maio de 2012, às 18h27min, data em que eu celebrava quatro anos junto da Pandora. Depois disso passamos mais incontáveis momentos, daqueles que só podem sentir algo quem os presenciou. Nossa relação se modificou bastante com a chegada do Dan, e isso é um dos meus grandes remorsos. Mas permanecemos juntas, como deve ser, e esta será só mais uma fase que logo passa. As palavras abaixo vão sempre continuar atuais, não tem como ser diferente…

Há muito tempo atrás, eu escrevi esse texto pra Pandora, ainda não tinha a Mel, mas o que sinto pela Pandinha não mudou por conta disso. E hoje faz 4 anos que ela está na minha vida. Achei a data propícia pra postar.

Certo dia encontrei essestextos e chorei. Muito. E não to exagerando. Chorei tipo criança, mas por muito mais tempo. Pq me vi ali. Pq vi a Pandora ali. Pq vi que mais do que nunca nós temos uma a outra e ponto.

O fato é que várias vezes eu encaro o papel da pessoa que “gosta mais de cão do que de gente“. É clichê, não precisa explicar. O amor sincero, a devoção, o respeito, tudo… Mas esse post é mais intimista, mais egoísta. Pq to falando da Panda. A minha Panda. E eu jamais conseguiria falar tudo dessa forma, como nesses textos, tão bonita, suave. Mas há algum tempo eu sinto que é necessário registrar o quanto ela é especial. Pra mim, pra minha vida.

Olho pra Panda e me vejo incapaz de imaginar a história dela. Vejo ali um ser frágil; vejam, ela é toda assustadinha com qualquer um, desconfiada, medrosa. Não sei o que a fez assim. Mas sei que não foi fácil. E ainda assim a vejo disposta a colocar tudo isso de lado para tentar me alegrar, pra me fazer bem. Disposta a me mostrar que não importa o que aconteça, ela está ali.

E, sabe, acho que isso nos torna mais próximas, que faz eu afirmar com toda a convicção que ela é a MINHA cachorra, a minha “filha“. Acho que nós nos encontramos uma na outra. Esse medo de se aproximar das pessoas; de ser quem a gente realmente é só com quem a gente confia, e de não confiar em quase ninguém. Então eu percebo um dos pqs de nos entendermos tão bem.

Não foram poucas as vezes que fiquei remoendo os grandes dramas da humanidade – digo; na maioria das vezes, da minha vida – me “esperneei” baixinho, entrei em desespero, etc e tal. Ou quando recebi uma notícia ruim e comecei a chorar. E todas as vezes, olhei e Pandora tava do meu lado, muitas vezes abanando o rabo, pulando inconvenientemente em mim e sobre a minha cabeça, me arranhando desajeitada e dando lambidas. Tudo pra me ver rir ou me ver brava ou ter qualquer reação diferente daquelas. Quantas vezes me machuquei e a vi olhando pelo canto dos olhos, como quem desaprovara o que eu fiz. Como quem sofria mais por mim do que eu mesma. Tentando dizer que tava ali pra me proteger, pra cuidar de mim, que eu não precisava ter medo de nada… essas coisas que EU deveria fazer por ela. Às vezes nós invertemos os papéis por aqui… E quantas vezes eu só queria o silêncio, ficar em paz e respirar fundo e ela sentou ali do meu lado, geralmente com a cabeça encostada em mim, compreendendo tudo e ficando quietinha…

Em algum momento, lá atrás, eu achei que tava “salvando” a Panda ao adotá-la e dar uma vida “boa” pra ela. Prometi, logo no começo e inúmeras vezes depois, que nós ficaríamos pra sempre juntas, que mais nada de ruim aconteceria pra ela. Aliás, eu reforço a promessa quase todas as vezes que saio, ainda que pra trabalhar, e deixo ela sozinha… Talvez mais por mim do que por ela. A grande verdade, dessas que a gente constata no dia-a-dia, é que é o contrário. Ela me salvou. Me salva todos os dias. Me mantém humana. Me lembra que algumas situações não pedem palavras, apenas estar perto, estar junto. Me faz saber que tem alguém esperando ansiosa a minha volta pra casa, ainda que muitas vezes eu não queira; alguém que, de repente, nem depende de mim, mas que faz de tudo pra que eu acredite que sim.

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Marcela Santander

Marcela, 30 anos. Pisciana com ascendente em gêmeos e lua em escorpião. Mãe, feminista, ser político. Interessada em estudar antropologia e convenções sociais. mais?