Rascunhos antigos: Meu quase um segundo

Este post foi originalmente publicado no dia 20 de outubro de 2011 às 05h17.

Aí que no auge da insônia tenho as boas companhias do meu travesseiro enorme e do Cazuza. E aí que ouço num tom meio cantado, meio falado, com a sutileza que só o ídolo-mor consegue: “às vezes te odeio por quase um segundo”. Aí me perco pensando que é a segunda vez só essa semana que me deparo com essa questão da percepção do tempo. Essa semana. Pq na minha vida, essa é uma constante.

Quase um segundo é uma fração insignificante de tempo; se consideramos o curso da vida, das histórias, das pessoas, do mundo… Mas ali, naquele contexto, naquela situação, de dúvida e incerteza, cruel, quase um segundo é tempo infinito; é quase todo o tempo do mundo. Até vir a sensação ambígua de medo e alívio do “depois te amo mais”.

Quase um segundo pode ser 3 meses ou 6 anos; é metáfora pra me ligar ao post anterior, quando disse “não sei quando essa fase vai passar blablabla quanto tempo vai levar e mais blablabla”. A verdade é que na minha percepção de tempo, ele passa devagar demais – e já discuti até com a psicóloga por isso, lembro-me bem, pra mostrar que não é de agora, pq deixei de ir lá há uns 5 meses, talvez. Então meu “um segundo” tá aí, começando a incomodar.

Eu continuo do mesmo jeito. Perdida, eu diria. Mas eu cansei. Cansei de não saber onde chegar, de não ter o que esperar, de não ter pra onde ir. Logo eu, que sempre disse que o caminho é tão interessante – ou mais – que o destino. Mas tá parecendo aquelas viagens chatas, que de 5 em 5 minutos alguém pergunta: “-Tá chegando?” – meu pai com certeza queria morrer.

Eu sinto falta de tanta coisa… Mas acho que essa está entre aquelas que mais machucam. A falta de um objetivo. E poderia ser qualquer coisa. Qualquer coisa, mesmo. Desde que, primeiro, seja eu quem quer, não o sonho que sonharam pra mim, tipo a faculdade. Segundo, que seja possível; eu queria mesmo passar pelo menos um ano longe de tudo, pelo mundo; mas me custaria pelo menos um carro zero, e o meu tá financiado; quer dizer, não dá, né. E terceiro, que seja algo que tenha importância, algo que eu acredite, que eu queira com todas as forças e pelo que eu daria a vida; todo um drama.

Aí até penso em algumas coisas. Mas, sei lá. Acho que coloquei requisitos demais. Pq tem sempre um “MAS“…

Aí admito que talvez seja eu que estou cedendo pouco. Aí me sinto me sabotando – e eu odeio essa palavra e todo o seu significado. To indo contra mim mesma, procurando qualquer motivo pra manter tudo como está; tipo “tá ruim, mas tá bom”, sabe? Me imponho um monte de coisas pra permanecer do mesmo jeito; só que isso não condiz comigo. Com o que eu acredito, com quem eu sou. Eu não posso simplesmente admitir isso pra mim e não fazer nada!

Pela primeira vez eu entendi pq tanta gente vem desabafar comigo, mesmo que às vezes eu fale tudo o que eles não querem ouvir, mas que resolveriam boa parte dos problemas. Pela primeira vez eu queria que alguém bancasse “a Marcela” e me dissesse o que fazer. Ainda que eu não fizesse. Só pra ter uma ideia pra ficar martelando na cabeça como provável solução…

#postdesabafo

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Marcela Santander

Marcela, Santander igual do banco. 30 anos. Pisciana com ascendente em gêmeos e lua em escorpião. Mãe, feminista, ser político. Interessada em estudar antropologia e convenções sociais. mais?