Sobre a vontade de escrever

Quando decidi mexer com blog novamente foi pq mais uma vez eu queria escrever. Algo. Sobre alguma coisa.

Quando trabalhei na elaboração de um projeto e tive que ler muito, pensei que publicar boas resenhas ou fichamentos sobre os textos que achava mais interessantes.

Quando estive viajando pensei que de repente poderia fazer algo no estilo “blog de viagem”, com dicas principalmente do que não fazer. Ou que eu ainda poderia usar esse espaço como “diário de bordo” – or something.

Este sempre foi um blog pessoal. Mas “pessoal” pressupõe falar sobre si. E pressupõe na medida em que, ainda que eu não fale diretamente sobre mim, a simples escolha do que eu digo diz muito. O que eu não digo, mais ainda. É essa consciência que tem atrapalhado, de certa forma. É interessante pq ao mesmo tempo que eu quero dizer muitas coisas, cada vez que penso em algo, me questiono se é pertinente. Não concordo que uma opinião é só uma opinião. Tem sempre algo mais, claro. E escrever nos permite ponderar sobre isso… Será que eu não sei mais fazer isso?

Existem inúmeros assuntos que eu poderia – e gostaria de – falar sobre. E eu falaria, sem grandes problemas. Se fossem outros tempos. As coisas que me incomodam são de certo modo sobre quem lá. Se eu quero divulgar ideias, fazê-las circular, me parece incoerente solicitar cadastro ou pedir login e senha; por outro lado, tornar algo público significa não ter controle sobre o alcance. Não sobre as críticas, pq esse domínio é meu e se eu achar algum comentário impróprio, eu tenho a liberdade para apagar e pronto, quem quiser dizer que estou cerceando espaços de expressão que o faça nos seus próprios espaços. Também não me importo com os amigos, pelo contrário; eu nunca divulguei blog entre conhecidos, ainda assim, sempre recebi retornos muito positivos de pessoas que o “encontraram” pela net. O problema é que não tem jeito de saber como pessoas que estão por aí­ vão tirar coisas de um contexto. Ou distorcer. Quem fará o que com o que eu disse? Com que finalidade? Muita neurose? Pq eu não sou uma pessoa conhecida, tampouco vou falar nenhuma merda que me renda processos – rs! Penso em possíveis apropriações disso. De certa maneira, alguma proporção ou repercussão desnecessárias de coisas que julgo tolas me assustam. Talvez no cotidiano, na vida ordinária, no microcosmo…

Acho que a questão está aí­. POSSÍVEIS. Possibilidades, probabilidades, me lembra de uma boa discussão que tive nas aulas de antropologia médica sobre a noção de risco na sociedade.

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Marcela Santander

Marcela, 30 anos. Pisciana com ascendente em gêmeos e lua em escorpião. Mãe, feminista, ser político. Interessada em estudar antropologia e convenções sociais. mais?